Se eu dissesse algo banal
Sobre coisas que não são
Se eu fosse natural
Ao falar da percepção.
Às vezes eu vejo mal
Às vezes as coisas não
Parecem vir do real
E sim da imaginação.
Mas, não que eu seja anormal,
É que eu temo o bicho-papão
E as vozes ali no quintal
Falam da sua aproximação.
Tem uma voz visceral
Furiosa, qual trovão,
Com um ódio atemporal
Que me pede escravidão.
Fico temperamental
Mas não vou negar o pão
Para o carrasco boçal
Que me arremessa ao porão.
Por vezes o tom vocal
Prende-me como um grilhão
Banho-me em fluído vital
Que chega a escorrer no chão.
E acordo passando mal
Sem dormir até então
E continua a voz leal
Minha atormentação.
Confundo o gosto do sal
Como sem lavar a mão
Tenho um medo irracional
De qualquer perseguição.
Eu sei que me querem mal
(Me vigiam feito o cão)
Mas nunca vi o rosto tal
Desse meu algoz vilão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
.. Mário Quintana ..