segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

VOZES


Se eu dissesse algo banal
Sobre coisas que não são
Se eu fosse natural
Ao falar da percepção.

Às vezes eu vejo mal
Às vezes as coisas não
Parecem vir do real
E sim da imaginação.

Mas, não que eu seja anormal,
É que eu temo o bicho-papão
E as vozes ali no quintal
Falam da sua aproximação.

Tem uma voz visceral
Furiosa, qual trovão,
Com um ódio atemporal
Que me pede escravidão.

Fico temperamental
Mas não vou negar o pão
Para o carrasco boçal
Que me arremessa ao porão.

Por vezes o tom vocal
Prende-me como um grilhão
Banho-me em fluído vital
Que chega a escorrer no chão.

E acordo passando mal
Sem dormir até então
E continua a voz leal
Minha atormentação.

Confundo o gosto do sal
Como sem lavar a mão
Tenho um medo irracional
De qualquer perseguição.

Eu sei que me querem mal
(Me vigiam feito o cão)
Mas nunca vi o rosto tal
Desse meu algoz vilão.




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Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
.. Mário Quintana ..