terça-feira, 28 de abril de 2020

(ENFIM) FINITO - 2012


 [...] que a minha casa pegue fogo
e a minha cama pegue fogo
e que eu morra lenta e dolorosamente, mas que morra realmente
e que não sobre nada
que não sobre nem as cinzas pro outro espalhar ao vento
que não reste sofrimento
que se acabe a vida com a luz
e que a treva reine no infinito
esquecimento
que o corpo estimado apodreça
que a alma irreal se perca
que o sangue escorra e a pele rasgue
e a morte esmague a existência
e o pensamento desapareça

continuar é ter fé
e sou ateu
muita coisa que hoje elogiam já morreu
e o que vive é escultura de pó
é sombra, ilusão, é fantasia e só

nada aqui é original
o pesar
também ele é surreal
também eu volto para a estupidez
e passado todo o futuro que há de vir
permaneça a nudez de raciocínio
e a amnésia me apague nos afetos
como apagará esses meus versos