domingo, 12 de julho de 2020
Sobre as borboletas
As borboletas voam... Sim!! Mas por que elas voam? Elas voam porque têm asas, ora bolas... E por que eu não tenho asas?
É simples!
Não, não, complicado de mais pra você entender... Mas eu podia tentar dizer...
Olha só que música bonita! Não, não dá pra você olhar, mas então ouça! "Lágrimas de chuva...”
A música é legal, mas não faz sentido! Que gente mais louca... As chuvas não choram! e as nossas lágrimas, oras...são feitas de sangue e mel, pelo menos as minhas... E na verdade, são as minhas que importam...
"Quem sabe o fim da história?"
Eu!!! *levanta a mão* Eu sei o fim da história!!
-E todos viveram felizes para sempre... É esse o fim de todas as histórias!
Não! Sua burra! É claro que eles não vivem felizes para sempre, eles não vivem para sempre, e muito menos felizes!! Que absurdo! Você está louca? Você quer me enlouquecer?
Não... Eu só queria comer uma laranja...
É, faz tempo que não comemos laranjas, acho que nem me lembro do gosto dos abacaxis...
Mas o fato, é que as borboletas voam... Elas voam alto indo pro inferno, não, desculpe, inferno é uma palavra feia, desculpe, tinha me esquecido das regras...
As borboletas são azuis...
E elas voam, simmmmm, elas voam...
Voam... hum, deixe-me ver, voam para o céu! É! Voam para a liberdade!
Eu queria aprender a tocar violino, você não?
Eu? Violino é coisa de louco...
É...
Tem razão...
Temos que ser normais...
E as borboletas ainda assim são azuis... Mesmo que ninguém às veja...
terça-feira, 28 de abril de 2020
(ENFIM) FINITO - 2012
[...] que a minha casa
pegue fogo
e a minha cama pegue fogoe que eu morra lenta e dolorosamente, mas que morra realmente
e que não sobre nada
que não sobre nem as cinzas pro outro espalhar ao vento
que não reste sofrimento
que se acabe a vida com a luz
e que a treva reine no infinito
esquecimento
que o corpo estimado apodreça
que a alma irreal se perca
que o sangue escorra e a pele rasgue
e a morte esmague a existência
e o pensamento desapareça
continuar é ter fé
e sou ateu
muita coisa que hoje elogiam já morreu
e o que vive é escultura de pó
é sombra, ilusão, é fantasia e só
nada aqui é original
o pesar
também ele é surreal
também eu volto para a estupidez
e passado todo o futuro que há de vir
permaneça a nudez de raciocínio
e a amnésia me apague nos afetos
como apagará esses meus versos
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
OBRIGADA
Respiro fundo e o cheiro de pimenta invade minhas narinas.
1... 2... 3...
As borboletas em meu estômago aparecem sempre que o vejo e
isso é um bom sinal. É sinal de que a paixão ainda mora aqui. Quando as borboletas
forem embora eu devo me preocupar... A menos que elas sejam substituídas por
aquela sensação de “estar em casa” (que é quando a intimidade atingiu o grau máximo).
Esse homem ao meu lado, que mesmo quando não está ao meu
lado se faz presente, ele é importante.
Eu o vejo em meus sonhos, nos acordados
também.
Seu cheiro se mistura com o cheiro de pimenta que vem do mar
e tudo fica extremamente maravilhoso. E meu olfato tem uma sensação de contentamento
que nunca tive antes!
O balançar das ondas me acalma. Mesmo eu tendo alguns percalços
na viagem.
Eu sou frágil. E por entre algumas lágrimas, admito isso:
sou frágil. Não queria que ele soubesse... Mas estamos assumindo nossos “eus”,
então eu me jogo no oceano que é o nosso sentimento e confesso: não sou assim
tão forte quanto pareço nas fotos inamareláveis do celular...
Ele me abraça. Forte. Eu me aqueço e consolo. Não é tão ruim
confiar, eu posso fazer isso de novo.
De repente temos água aos nossos pés e, entre “te amos” trocamos
promessas.
A noite cai e o cheiro de pimenta volta. Um sorvete me
lembra que não estou contando as calorias e isso vai me custar caro em algumas
semanas.
A névoa, a chuva e o frio retornam, e eu me visto dele e espalho
minha presença pelo quarto. Vamos dormir. Vamos nos lembrar apenas dos risos.
Vamos nos abraçar e fazer o tempo parar!
De repente acordo em uma casa que não é a minha, mas que
começa a tornar-se familiar, aos poucos.
O corpo quente ao meu lado se move. Resmunga alguma coisa e
sorri dormindo. Eu sorrio e penso: “Obrigada.”
A delícia das pequenas coisas deve ser constantemente
agradecida.
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