Respiro fundo e o cheiro de pimenta invade minhas narinas.
1... 2... 3...
As borboletas em meu estômago aparecem sempre que o vejo e
isso é um bom sinal. É sinal de que a paixão ainda mora aqui. Quando as borboletas
forem embora eu devo me preocupar... A menos que elas sejam substituídas por
aquela sensação de “estar em casa” (que é quando a intimidade atingiu o grau máximo).
Esse homem ao meu lado, que mesmo quando não está ao meu
lado se faz presente, ele é importante.
Eu o vejo em meus sonhos, nos acordados
também.
Seu cheiro se mistura com o cheiro de pimenta que vem do mar
e tudo fica extremamente maravilhoso. E meu olfato tem uma sensação de contentamento
que nunca tive antes!
O balançar das ondas me acalma. Mesmo eu tendo alguns percalços
na viagem.
Eu sou frágil. E por entre algumas lágrimas, admito isso:
sou frágil. Não queria que ele soubesse... Mas estamos assumindo nossos “eus”,
então eu me jogo no oceano que é o nosso sentimento e confesso: não sou assim
tão forte quanto pareço nas fotos inamareláveis do celular...
Ele me abraça. Forte. Eu me aqueço e consolo. Não é tão ruim
confiar, eu posso fazer isso de novo.
De repente temos água aos nossos pés e, entre “te amos” trocamos
promessas.
A noite cai e o cheiro de pimenta volta. Um sorvete me
lembra que não estou contando as calorias e isso vai me custar caro em algumas
semanas.
A névoa, a chuva e o frio retornam, e eu me visto dele e espalho
minha presença pelo quarto. Vamos dormir. Vamos nos lembrar apenas dos risos.
Vamos nos abraçar e fazer o tempo parar!
De repente acordo em uma casa que não é a minha, mas que
começa a tornar-se familiar, aos poucos.
O corpo quente ao meu lado se move. Resmunga alguma coisa e
sorri dormindo. Eu sorrio e penso: “Obrigada.”
A delícia das pequenas coisas deve ser constantemente
agradecida.