segunda-feira, 5 de setembro de 2022

MELANCOLIA



Estou tão cansada 

De lançar sorrisos como bumerangues

Apenas para recebê-los de volta

E me contentar com os ecos de outrora.


Preciso de carinho,

Preciso de cuidado,

Preciso de uma nova capa de chuva que me 

Proteja das gotas de ódio do mundo.


Um afago inesperado cura pequenas dores acumuladas

E de dor em dor o coração sara e fica pronto

Pra mais uma rodada.

Mais um mês;

Mais um ano;

Mais uma vida.


Ser doido tem suas vantagens, 

Eu ainda não sei quais são, mas existem.

A esquizofrenia nossa de cada dia

Escreve pequenos haikais nas minhas mãos.

Ela são brancas e permitem-se escrever.


Que minha mente sã vença a batalha mais uma vez.

Porque mais uma vez eu necessito

Que a balança caia pro lado otimista.

domingo, 12 de julho de 2020

Sobre as borboletas


As borboletas voam... Sim!! Mas por que elas voam? Elas voam porque têm asas, ora bolas... E por que eu não tenho asas?
É simples!
Não, não, complicado de mais pra você entender... Mas eu podia tentar dizer...
Olha só que música bonita! Não, não dá pra você olhar, mas então ouça! "Lágrimas de chuva...” 
A música é legal, mas não faz sentido! Que gente mais louca... As chuvas não choram! e as nossas lágrimas, oras...são feitas de sangue e mel, pelo menos as minhas... E na verdade, são as minhas que importam...
"Quem sabe o fim da história?"
Eu!!! *levanta a mão* Eu sei o fim da história!!
-E todos viveram felizes para sempre... É esse o fim de todas as histórias!
Não! Sua burra! É claro que eles não vivem felizes para sempre, eles não vivem para sempre, e muito menos felizes!! Que absurdo! Você está louca? Você quer me enlouquecer?
Não... Eu só queria comer uma laranja...
É, faz tempo que não comemos laranjas, acho que nem me lembro do gosto dos abacaxis...
Mas o fato, é que as borboletas voam... Elas voam alto indo pro inferno, não, desculpe, inferno é uma palavra feia, desculpe, tinha me esquecido das regras...
As borboletas são azuis...
E elas voam, simmmmm, elas voam...
Voam... hum, deixe-me ver, voam para o céu! É! Voam para a liberdade!
Eu queria aprender a tocar violino, você não?
Eu? Violino é coisa de louco...
É...
Tem razão...
Temos que ser normais...
E as borboletas ainda assim são azuis... Mesmo que ninguém às veja...

terça-feira, 28 de abril de 2020

(ENFIM) FINITO - 2012


 [...] que a minha casa pegue fogo
e a minha cama pegue fogo
e que eu morra lenta e dolorosamente, mas que morra realmente
e que não sobre nada
que não sobre nem as cinzas pro outro espalhar ao vento
que não reste sofrimento
que se acabe a vida com a luz
e que a treva reine no infinito
esquecimento
que o corpo estimado apodreça
que a alma irreal se perca
que o sangue escorra e a pele rasgue
e a morte esmague a existência
e o pensamento desapareça

continuar é ter fé
e sou ateu
muita coisa que hoje elogiam já morreu
e o que vive é escultura de pó
é sombra, ilusão, é fantasia e só

nada aqui é original
o pesar
também ele é surreal
também eu volto para a estupidez
e passado todo o futuro que há de vir
permaneça a nudez de raciocínio
e a amnésia me apague nos afetos
como apagará esses meus versos

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

OBRIGADA


Respiro fundo e o cheiro de pimenta invade minhas narinas.

1... 2... 3...

As borboletas em meu estômago aparecem sempre que o vejo e isso é um bom sinal. É sinal de que a paixão ainda mora aqui. Quando as borboletas forem embora eu devo me preocupar... A menos que elas sejam substituídas por aquela sensação de “estar em casa” (que é quando a intimidade atingiu o grau máximo).

Esse homem ao meu lado, que mesmo quando não está ao meu lado se faz presente, ele é importante. 

Eu o vejo em meus sonhos, nos acordados também.
Seu cheiro se mistura com o cheiro de pimenta que vem do mar e tudo fica extremamente maravilhoso. E meu olfato tem uma sensação de contentamento que nunca tive antes!

O balançar das ondas me acalma. Mesmo eu tendo alguns percalços na viagem.

Eu sou frágil. E por entre algumas lágrimas, admito isso: sou frágil. Não queria que ele soubesse... Mas estamos assumindo nossos “eus”, então eu me jogo no oceano que é o nosso sentimento e confesso: não sou assim tão forte quanto pareço nas fotos inamareláveis do celular...

Ele me abraça. Forte. Eu me aqueço e consolo. Não é tão ruim confiar, eu posso fazer isso de novo.

De repente temos água aos nossos pés e, entre “te amos” trocamos promessas.

A noite cai e o cheiro de pimenta volta. Um sorvete me lembra que não estou contando as calorias e isso vai me custar caro em algumas semanas.

A névoa, a chuva e o frio retornam, e eu me visto dele e espalho minha presença pelo quarto. Vamos dormir. Vamos nos lembrar apenas dos risos. Vamos nos abraçar e fazer o tempo parar!

De repente acordo em uma casa que não é a minha, mas que começa a tornar-se familiar, aos poucos.

O corpo quente ao meu lado se move. Resmunga alguma coisa e sorri dormindo. Eu sorrio e penso: “Obrigada.”
A delícia das pequenas coisas deve ser constantemente agradecida.


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

FELICIDADE DE INÍCIO


Queria envolvê-lo com
Palavras
Mas um dia você me confidenciou que
Não era poeta
Então minha meta
Passou a ser envolvê-lo fisicamente
Com braços e abraços,
Pernas, beijos e laços.
E depois de tê-lo bem junto de mim
Poder encontrar
Nas nossas mãos unidas
Assim
Sentido no começo de um sentimento
Sem fim,
Afim de reconhecer eternidade
Numa chuva caindo no teto,
Num balaio de carrinhos,
Ou num caminhar sorrindo
Com o peito estufado de contentamento e
Felicidade.
Alegria vermelha que brota no canto da boca
E se derrama corpo afora... 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

ÁSPERO - 2012

Eu deveria ter cortado
A grade
Os pulsos
As amarras que me prendem à vida
Eu deveria ter cortado ontem.

Eu deveria ter cortado
Os laços
Os braços
Os vínculos mortíferos que me pedem o que não sou
Eu deveria ter cortado ontem.

Deveria ter pulado
Planado
Peitado a dor fugaz
Deveria ter pulado ontem.

Se tivesse raciocinado mais
Evitaria poemas duros como esse
Hoje.

PONTO - 2012

Chegou o momento
A hora certa
O segundo é esse pois o primeiro
Bom
O primeiro foi um fracasso.

Avance.
Um passo;
Um salto;
Um gole;
Um golpe;
Um tiro e
BANG!
Está feito.

Nada mais de lamúrias ao pé da mesa
Nenhum filho será perdido
Nem coração quebrado.

Bonecos de porcelana são tão sutis ao se esfacelar na parede.