quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

OBRIGADA


Respiro fundo e o cheiro de pimenta invade minhas narinas.

1... 2... 3...

As borboletas em meu estômago aparecem sempre que o vejo e isso é um bom sinal. É sinal de que a paixão ainda mora aqui. Quando as borboletas forem embora eu devo me preocupar... A menos que elas sejam substituídas por aquela sensação de “estar em casa” (que é quando a intimidade atingiu o grau máximo).

Esse homem ao meu lado, que mesmo quando não está ao meu lado se faz presente, ele é importante. 

Eu o vejo em meus sonhos, nos acordados também.
Seu cheiro se mistura com o cheiro de pimenta que vem do mar e tudo fica extremamente maravilhoso. E meu olfato tem uma sensação de contentamento que nunca tive antes!

O balançar das ondas me acalma. Mesmo eu tendo alguns percalços na viagem.

Eu sou frágil. E por entre algumas lágrimas, admito isso: sou frágil. Não queria que ele soubesse... Mas estamos assumindo nossos “eus”, então eu me jogo no oceano que é o nosso sentimento e confesso: não sou assim tão forte quanto pareço nas fotos inamareláveis do celular...

Ele me abraça. Forte. Eu me aqueço e consolo. Não é tão ruim confiar, eu posso fazer isso de novo.

De repente temos água aos nossos pés e, entre “te amos” trocamos promessas.

A noite cai e o cheiro de pimenta volta. Um sorvete me lembra que não estou contando as calorias e isso vai me custar caro em algumas semanas.

A névoa, a chuva e o frio retornam, e eu me visto dele e espalho minha presença pelo quarto. Vamos dormir. Vamos nos lembrar apenas dos risos. Vamos nos abraçar e fazer o tempo parar!

De repente acordo em uma casa que não é a minha, mas que começa a tornar-se familiar, aos poucos.

O corpo quente ao meu lado se move. Resmunga alguma coisa e sorri dormindo. Eu sorrio e penso: “Obrigada.”
A delícia das pequenas coisas deve ser constantemente agradecida.


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