O gosto não é mais o mesmo,
A visão da velha
Rezando baixo num canto,
Entoando seus mantras,
Não lhe traz um sentimento
Preciso.
Você sabe que acabou.
As longas conversas duram cada vez
Menos.
E são cada vez
Menos
Agradáveis...
Positivas...
Construtivas...
Instrutivas.
Você sabe que acabou.
Sobe-lhe a boca o gosto da bile
Só de ouvir falar.
Causa-lhe dor de cabeça e
Ulcerações no trato gástrico
Se tiver de visualizar a cena.
Você sabe que acabou.
Você entende.
Aceita, deve aceitar que acabou.
Pois, de fato, acabou, meu velho.
E até que acabou rápido
Não foi?
Quase nem sentiu o fim;
Quase nem foi possível determiná-lo.
Mas agora consumado
Você sabe que acabou.
Então, você sabe que acabou.
Deixe de ser inconveniente,
Seu incompetente, sua mula
Bestial!
Peça logo outro desses!
Não deixe minha taça vazia
Muito tempo: ela esfria.
Eu gosto de vinho quente!
Não se faça de avarento
Não combina com esse saber
Você e eu sabemos que não foi só isso
Que acabou.
Acabaram-se também os tira-gostos.
Garçom, mais um,
E uma tábua de petiscos, por favor,
Porque essa garrafa
Ah, essa ele sabe
Você sabe também,
Acabou.

