segunda-feira, 4 de novembro de 2019

FELICIDADE DE INÍCIO


Queria envolvê-lo com
Palavras
Mas um dia você me confidenciou que
Não era poeta
Então minha meta
Passou a ser envolvê-lo fisicamente
Com braços e abraços,
Pernas, beijos e laços.
E depois de tê-lo bem junto de mim
Poder encontrar
Nas nossas mãos unidas
Assim
Sentido no começo de um sentimento
Sem fim,
Afim de reconhecer eternidade
Numa chuva caindo no teto,
Num balaio de carrinhos,
Ou num caminhar sorrindo
Com o peito estufado de contentamento e
Felicidade.
Alegria vermelha que brota no canto da boca
E se derrama corpo afora... 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

ÁSPERO - 2012

Eu deveria ter cortado
A grade
Os pulsos
As amarras que me prendem à vida
Eu deveria ter cortado ontem.

Eu deveria ter cortado
Os laços
Os braços
Os vínculos mortíferos que me pedem o que não sou
Eu deveria ter cortado ontem.

Deveria ter pulado
Planado
Peitado a dor fugaz
Deveria ter pulado ontem.

Se tivesse raciocinado mais
Evitaria poemas duros como esse
Hoje.

PONTO - 2012

Chegou o momento
A hora certa
O segundo é esse pois o primeiro
Bom
O primeiro foi um fracasso.

Avance.
Um passo;
Um salto;
Um gole;
Um golpe;
Um tiro e
BANG!
Está feito.

Nada mais de lamúrias ao pé da mesa
Nenhum filho será perdido
Nem coração quebrado.

Bonecos de porcelana são tão sutis ao se esfacelar na parede.

terça-feira, 11 de junho de 2019

SOLITÁRIA

A Jéssica morreu de solidão.
Sequer enterraram o corpo.
Ele jaz lá atrás, no mato, no meio das folhas de comigo-ninguém-pode.

Esse corpo no meio das folhas é todo rasgado de tragédias.
Mas quem é que faz pausa para tragédia dos outros
quando não tem sangue a jorrar do ferimento?
Ferimento morto há dias não jorra sangue do jeito certo.

... e se não jorra sangue do jeito certo,
não vale a pena ajudar.

terça-feira, 28 de maio de 2019

A FOME BATE NA PORTA


A fome bate na porta.
A fome bate na aorta.
Toc toc.
Arritmia nossa de cada dia.

Muita aveia e pouca farinha branca.
Seja nada mais que franca
Menina.
Dor crônica e vazia.

A ponta do osso espeta.
A ponta do osso supera
A feiura.
Gordura localizada.

Bile verde no fim de tudo.
Olhos vermelhos, rosto sisudo.
Travessura
Recompensada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

F(N)OME



Fotossíntese é uma ideia atraente
Mas não há luz suficiente onde eu me escondo.
Restam apenas pequenas frestas no telhado
Que mostram que lá fora
Pode haver esperança,
Mas aqui entro existe apenas o mofo.
E com a falta da luz, ninguém pode ver a minha alma.
Então vou deixar que sintam meus ossos.
Sim...
Os ossos eles podem sentir...
Podem saber que ainda existo e tenho sentimentos.
Que tenho medos. Que tenho necessidades.
Podem saber que tenho alma, mesmo que não vejam.
Mas o caminho é difícil, pois as pedras são pontiagudas
E machucam minha pele empalidecida.
Devo persistir. Devo continuar.
Só assim vou me fazer real para todos!
Só assim vão me considerar humana
E me tratar com cuidado.
Só assim vou poder descansar a sombra de um baobá
Sem me misturar com suas raízes.