Ela corre ruidosa e
Molhada
Ela me relaxa e aquece
Sem me tocar.
A água fica estagnada nas nuvens do céu escuro
Esconde as estrelas
Estas que,
Por sua vez,
Mentem-me suas idades
E atormentam minhas noites sem Lua.
A água caminha nos rios congelados do parque
Ela é sutil e afiada.
Sem tempo para as dores mundanas.
A água escorrega no vidro do carro
E atrapalha a visão do motorista
Que libera sua revolta
Em formato de blasfêmias tolas.
A água chove nas telhas de barro
Encharca o barro no chão
Encharca, também, a roupa e os cabelos
Das prostitutas da esquina.
Coitadas.
A água corre no cômodo ao lado
Ela fica estagnada nos cílios dourados de um homem
E vai-se embora pelo ralo.
A água chove lá fora.
Talvez, mais tarde, não ouse chover
Se descobrir o que os homens de bem fazem
Debaixo da sua bondade.
E o que os homens comuns vão fazer
Aos olhos de toda essa chuva.
Jéssica D. Clemente

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